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Facebook aprendeu com fotografia do Vietname e promete aceitar mais imagens icónicas

Liliana Valente

A rede social não diz como, mas promete que nas próximas semanas vai deixar que fotografias consideradas relevantes sejam partilhadas, apesar de violarem as regras do Facebook.

A foto icónica do Vietname foi censurada pelo Facebook NICK UT
A foto icónica do Vietname foi censurada pelo Facebook NICK UT

Depois da polémica, a admissão de que há fotografias que pela sua força noticiosa podem ser partilhadas no Facebook. A rede social vai alterar as políticas de partilhas de imagem nas próximas semanas para que fotografias como a de Kin-Phuc, a criança a correr nua para fugir de uma bomba de napalm, durante a guerra do Vietname, possam ser permitidas.

A Reuters avança que o Facebook vai permitir mais imagens “com valor noticioso” que antes removeria por violarem os padrões da rede social. “Fizemos uma série de mudanças na política [do Facebook]”, depois da polémica com a fotografia icónica da guerra do Vietname, disse à Reuters Patrick Walker, director das parcerias de media para a Europa, Médio Oriente e África do Facebook. Walker disse ainda que o Facebook melhorou o seu procedimento para que “histórias controversas venham à tona mais rapidamente”.

Essas mudanças que serão feitas nas próximas semanas, garantiu, vão permitir a partilha de “mais itens que as pessoas consideram ter conteúdo noticioso, significantes ou importantes para o interesse público, mesmo que violem os padrões” da empresas. Como é que esta triagem vai ser feita, o director da empresas não explicar. Diz que o Facebook ainda vai trabalhar com as diferentes comunidades para perceber como o fazer, até porque mantém a intenção de não mostrar certas imagens que “representem um risco de segurança” ou que sejam “imagens gráficas para os menores ou para pessoas que não queiram vê-las”.

Esta decisão do Facebook surge depois da polémica com a imagem da guerra do Vietname. Tudo começou em Setembro quando um escritor norueguês partilhou a fotografia e o Facebook a retirou. Depois foi a vez do jornal “Aftenposten” desafiar as regras e ter o mesmo fim. A polémica foi crescendo quando a própria primeira-ministra norueguesa decidiu partilhar a fotografia e a rede social voltou a apagar o conteúdo do post.

Logo nessa ocasião, o Facebook admitiu que iria permitir que esta fotografia fosse partilhada: “Normalmente, seria de presumir que a imagem de uma criança nua viola os nossos padrões de comunidade, e em alguns países pode até ser considerada pornografia infantil. Neste caso, reconhecemos a história e a importância global desta imagem em documentar um momento particular no tempo”, afirmou a empresa, em comunicado.

Contudo, a polémica não arrefeceu. O director do jornal “Aftenposten” escreveu uma carta à rede social sobre o assunto, criticando o abuso da rede social na proibição de imagens que os media tradicionais valorizam como noticiosas: “Acho que está a abusar do seu poder, e tenho dificuldades em acreditar que tenha pensado nisto a sério”, afirma Espen Egil Hansen, na carta a Mark Zuckerberg. “Os media livres e independentes têm a importante tarefa de dar informação, incluindo fotografias, que por vezes pode ser desagradável, e que as elites no poder e talvez até os cidadãos comuns não aguentam ver ou ouvir, mas que podem ser importantes precisamente por essa razão”, escreveu.

Nos últimos meses, várias têm sido as notícias sobre este tipo de abusos. Mais do que isso, a Reuters revelou a semana passada que a fotografia da criança vietnamita a fugir da bomba de napalm era utilizada em sessões de formação a trabalhadores do Facebook como um exemplo de post que deveriam ser removidos. Tudo porque violava os padrões do Facebook ao mostrar uma criança nua, apesar do seu significado histórico.

* mantida a grafia lusitana original

Fonte: Publico.pt

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