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por Erico Mabellini

A fotografia, já faz algum tempo ocupa ocupa espaço próprio nos principais Galerias, Museus e Coleções de Arte do Brasil e do mundo.

Então vamos falr um pouco sobre a fotografia que será exposta em galerias, com acabamento em papel fine art e de tiragem única ou limitada. Passando pelas fotografias vintage que possuem boa aceitação entre galerias, museus e colecionadores. Mas a grande discussão que seria “qual a fotografia que pode ser considerada artística?” creio que continuará sem resposta em razão de sua eterna subjetividade.

O que podemos entender sobre a fotografia que é bem aceita em museus e galerias é que ela tenha em primeiro lugar um apelo de criatividade que subverta um status quo ou gere uma inquietação para aqueles que a observam. A simples beleza de uma foto bem realizada tecnicamente, raramente irá fazer com que a mesma venha a fazer parte dos acervos de uma galeria ou museu. Este é o ponto crucial e que depende exclusivamente de seu autor.

O segundo ponto que irá fazer com que a obra seja aceita como arte para galerias e museus já não tem muito a ver com a criatividadde de seu autor e sim com a qualidade técnica da obra. A sua impressão terá de ser preferencialmente realizada em papel Fine Art impresso por um printer técnicamente certificado pelas respectivas fábricas de papeis e que a obra contenha (quando impressa em papel fine art) um certificado de durabilidade que varia de 80 a 200 anos, quando acondicionada ou exibida em locais que obedeçam as regras de conservação.

Um bom relacionamento entre o fotógrafo e o seu printer é essencial para que a impressão fique de acordo com o desejado pelo artista, a boa harmonia entre artista e profissional para a escolha das provas de cores e contrastes da impressão, assim como as diversas gramaturas e texturas dos papéis fine art será a finalização do trabalho do fotógrafo.

O terceiro ponto para adentrar uma galeria ou museu é que a obra esteja bem emoldurada. De pouco adianta uma impressão certificada para permanência de 200 anos se no processo de montagem forem utilizados materiais e técnicas que não garantam a integridade da obra. Muitas vezes a obra é comprometida pela utilização de materiais ácidos (que danificam as imagens com o passar do tempo) e de processos irreversíveis (como a colagem da imagem no suporte).

Outras impressões

Uma outra apresentação bem aceita em galerias, mas que no entanto possui uma menor durabilidade, em média 08 anos, é o Metacrilato – Poly (methyl methacrylate) – PMMA, ou Polimetacrilato de Metila, um termoplástico transparente, usado frequentemente como uma alternativa leve e resistente à quebras quando comparado ao vidro; conhecido popularmente como acrílico, às vezes é chamado de vidro acrílico. No mercado de arte brasileiro, “montagem em metacrilato” passou a ser sinônimo da técnica de siliconar fotografias embutidas entre duas placas de acrílicos cast (face-mounting), prontas para serem penduradas nas paredes, dispensando qualquer outro tipo de moldura.

Processos de ampliação de filmes em papéis fotográficos como ampliações em Cybacrome, D76 e C41, também são bem aceitos por galerias, museus e colecionadores. Mesmo que sua durabilidade não seja tão grande quanto a dos papéis Fine Art.

Esse mercado fotográfico de galerias tradicionais inicia com valores de aproximadamente U$ 2,000.00 a obra e pode chegar a alguns milhares de dólares. Sendo que as obras únicas e tiragens pequenas aumentam o seu valor.

Uma característica desse mercado artístico, no caso o da fotografia, é sua capacidade intrínseca de reprodução, portanto muitas obras são comercializadas levando como documentação um certificado do artista onde estará acordado que a obra será substituída por outra caso venha a se deteriorar.

Galerias com um conceito de maior acessibilidade comercial

Dentro deste universo de fotografia autoral ou “Fine Art”, surgiram outras galerias com um conceito mais tangível ao publico médio, em razão dos valores mais acessíveis praticados. A preocupação com a qualidade dos artistas, das obras e do acabamento permanecem, porém as tiragens são realizadas em maior numero e existe a possibilidade de o comprador escolher a dimensão da obra que estará adquirindo. Fazendo com que esse mercado inicie com valores de R$ 500,00, e ultrapasse os R$ 10.000,00

A fotografia vintage

Quando falamos em fotografia vintage são pelo menos 20 anos de antiguidade, a foto deverá ser um registro de uma determinada época e/ou ter sido produzida com o estilo próprio de um determinado fotógrafo. A fotografia vintage para ser considerada arte e consequentemente ganhar espaço entre galeristas e colecionadores não pode ter sofrido nenhuma transformação (releitura), e ainda representar um instante da época e estar em perfeito estado.

No mercado de arte das fotografias vintage encontramos diversos estilos, desde fotografias jornalísticas que contam a história de uma época até fotos de moda e publicitárias que marcaram um momento histórico. Fotos de arquitetura e de paisagem (vide Ansel Adans) também podem ser consideradas vintage, assim como fotos tiradas na rua (street photos de Cartier Bresson).

O mercado de arte para fotografias vintage também está aberto para fotos realizadas por fotógrafos desconhecidos em sua época e que são encontradas por algum membro da família anos depois. Se tiverem qualidade técnica, fizerem o registro de uma época ou acontecimento, retratarem algum nome reconhecido, tiverem uma sequencia e estiverem em bom estado, o mercado certamente irá se interessar por elas.

Os valores de mercado para as fotos vintage oscilam muito entre diversos fatores como: o nome do autor, a quantidade de cópias numeradas que foram realizadas, se as fotos foram ampliadas pelo próprio fotógrafo, assinaturas, estado da obra e vários outros aspectos.

De acordo com informações de galeristas as fotografias com tiragens pequenas e limitadas sempre aumentam o valor da obra.

O termo Fine Art

O termo Fine Art é bastante discutível. Será que o nome se aplica à fotografia artística ou é apenas um recurso de midia? Não seria mais correto chamar de Fotografia Autoral, Fotografia Conceitual ou simplesmente Fotografia?

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