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A FOTOGRAFIA EQUATORIANA DE HUGO CIFUENTES

por: João Roc

“O céu é água que está em tempo passado. Que em pedra fugaz às vezes volta para ser nomeada. Mas aqui o ofício de ordenar o mundo com palavras, de dar vida às coisas, muitas vezes de costas ao ouvido, é só a certos homens que têm uma aliança com os deuses. Que recobram seus corpos em a mensagem que decreta a vertigem e os sonhos. A terra então, estranha, indestrutível, começa a fazer sua forma num reflexo. Começa a ser sitiada.”
Ernesto Carrion (EQU)

A fotografia latina sempre pareceu estar à margem dos aglomerados comerciais e artísticos dos grandes centros na Europa por exemplo. No entanto, alguns autores conseguiram romper estes muros invisíveis e elementares que separam as culturas e a construção de uma identidade tipicamente étnica, porém também com a intenção de uma linguagem universal. Um desses pioneiros foi o fotógrafo equatoriano Hugo Cifuentes. Não apenas o mais icônico do seu país – mas – além disso, um dos mais importantes artistas latinos do século XX.

A “Época Liberal” assim foi chamada um período que compreendeu 1895 a 1925 e que trouxe relevantes reformas políticas, econômicas, não menos conflitantes ao Equador mas que garantiram certa estabilidade ao país. Hugo Cifuentes nasceu em 1923 na pequena Otavalo. Seus primeiros estudos foram no campo da pintura e desenho até a década de 40. Para assim então adentrar o universo da fotografia.

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Na década de sessenta Cifuentes entrou para o grupo Vanguarda Artística Nacional – VAN, fundado por Enrique Tábara. Este foi um dos mais importantes pintores equatorianos da história. Tábara foi pioneiro em seu país levando sua exposição para os Estados Unidos e Europa. Ressaltando que o grupo VAN foi bastante influenciado pelo movimento Informalista francês que havia se desenvolvido na década de cinquenta; nas artes de gente como George Mathieu, Jean Dubuffet entre outros. Também fizeram parte do grupo Aníbal Villacís, Estuardo Maldonado, Luis Molinari.

Voltando aos trabalhos de Hugo Cifuentes, este ganhou importantes exposições e prêmios – tanto dentro – quanto fora do Equador. A Fotografia de Hugo tem uma leveza quase abstrata. Um realismo bem-humorado, uma visão sobre as mazelas sociais do país sem de fato depreender um pessimismo e sim buscar a beleza poética esperançosa num gesto de uma criança, das relações da sociedade equatoriana, na tradição religiosa, cultural. Cifuentes abriu seu primeiro estúdio com vinte e um anos e ganhou seu primeiro prêmio com vinte e seis.

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Talvez a mais importante série e um dos mais importantes prêmios recebidos por ele tenha sido a “Huañurca” que rendeu a Cifuentes o prêmio da Casa de las Américas en 1984. “Huañurca” foi criado ao lado de um dos filhos do fotógrafo. Trouxe elementos de rara riqueza em preto e branco. As raízes indígenas, metafísicas, lúdicas, urbanas e rurais que remontam o pequeno Equador do século vinte.

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Em 1998 foi lançado “Sendas del Ecuador” Um dos mais importantes trabalhados de fotografia documental da história do Equador e que marcaria a última obra em vida do mestre Hugo Cifuentes. Em 2010 um novo livro foi editado por um de seus filhos trazendo à torna dezenas de fotos antigas do pai.

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As exposições seguem abertas em todo o Equador e em vários países pelo mundo. Hugo Cifuentes faleceu em 2000, mas continua a influenciar a arte equatoriana. Levou o país além dos limites que por ventura parecia estar determinado. Além da evidência expressiva que a arte equatoriana é mais do que a influência indigenista ou rural. Ela possuí um caráter vanguardistas, universal e de imprescindível contribuição para o legado artístico do século XX até os dias atuais e claro, para as novas gerações de artistas do menor país andino.

Fonte: Obvious

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